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02
Abr16

A CULTURA QUE NOS REDEFINE

por entratenamente

Reflexão em torno do Apocalipse (ou eu a citar-me)

 

De quando em vez, ocorre-nos o termo apocalipse, apokálypsis, revelação, a propósito de acontecimentos novos, violentos, que alteram o só aparente curso calmo do que nos é contemporâneo. A barbárie ganha terreno. E deixa marcas de sangue e cicatrizes sobre a pele sensível daqueles que torna miseráveis. A Europa conhece bem esse sintoma, emergente nos seus mais nefastos momentos de morte, só nos últimos cento e quinze anos viu duas guerras mundiais, as revoluções russa e iraniana, a guerra da Bósnia, os atentados terroristas da Eta, do Ira, dos Baader-Meinhof, das Brigadas Vermelhas, dos separatistas chechenos, entre outros exemplos a que se junta a assustadora escalada da direita e da extrema direita a reocupar estatutos de um poder que julgava perdido e privilégios que a história escrita pelos mais ingénuos considerava destinados a não se reabilitarem. A verdade é que a Europa aproveita agora os noticiários oportunos em que os Talibã no Afeganistão e no Paquistão, o Boko Haram na Nigéria, e o Al Shabab no Corno de África, cuja 'ideologia' é apenas o poder político e o dinheiro, fazem esquecer o gérmen da barbárie que sempre alimentámos no ocidente e que contagiou todo o globo. A angústia (de uma faceta cultural, assente em valores) é assistir à emergente nova cultura, desprovida de plataformas, onde o elemento dinâmico é, ao mesmo tempo, o desconsolador: uma deriva propulsionada pelo Eu em direção ao que é insensato, catastrófico, desenfreado, mortal. A Europa viu o seu declínio em muitos espelhos, também na ideia medíocre de que é nos mercados que se joga o futuro da civilização, e na austeridade que se amordaça os povos e os assalta, para com o seu dinheiro restaurar bancos falidos por erros de estratégia, de gestão e de ambição política míope e cruel. Um percurso doentio, esquecendo o Homem e os seus valores mais elevados, retirando-lhe o pundonor, a autoestima, a qualidade humana no que tem de mais louvável.

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