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10
Mar16

À PROCURA DE IDEIAS

por entratenamente

As Ideias são sempre incómodas. Porque as temos, porque erramos com elas, porque nos convencemos e aplicamos pensamentos sem os sistematizarmos e nos convencemos de que isso são ideias. É como saber suster a respiração e acreditar que, por isso, se pode mergulhar a grandes profundidades, impunemente. Todos os dias nos deparamos com simulacros de ideias. Juízos de valor de grande debilidade mas que agitamos como poderosos. Acreditamos que somos Humanos, só pelo facto de, ao espelho, nos registarmos como tal. Antes do século XIX nem isso tínhamos: a ideia de homem, humanidade, natureza humana não tem muito mais de dois séculos. Kant, Darwin e Nietzsche é que vieram inquietar-nos. Há ainda hoje quem duvide que os nossos conceitos e valores sejam feitos socialmente, eternizando o moralismo platónico até aos nossos dias. O Homem não é, todavia, uma ideia natural ou eterna. Há pouco tempo, começámos a ver-nos como objectos no mundo. Mais recentemente ainda, como objectos de estudo. Com o estudo da consciência vieram as procupações sobre o estudo dos seus limites. Inventámos o colectivo, o individuo, o individualismo, a individuação. Hoje somos subjectivos, isto é, instalados nos nossos espaços íntimos. E, sobretudo, somos muito ignorantes. 

 

Alexandre Honrado

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