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01
Mar16

A TORTURA DE PENSAR

por entratenamente

Há aqueles que não pensam mas se entusiasmam muito quando conseguem formular uma frase. Chegam a escrevê-la nas redes sociais ou a telefonar para aqueles programas de rádio e de televisão que aceitam as frases, quaisquer frases, públicas. Chegar ao fim da frase, todavia, não é para todos. Há quem se suícide a meio, de uma forma inconsciente, sempre no convencimento de que aquilo é mesmo pensar. Há também os que pensam mal. Mas o que será isso de pensar mal ou pensar bem? Não há equilíbrio entre dois destinos assim nunca conciliáveis. Há aqueles que estão convencidos. Convencidos que pensam. Devemos temê-los, porque ou se convenceram sozinhos ou são o produto de algum outro, mais convencido ainda. Em matéria de pensamento, devia ser obrigatória a prestação de uma prova de vida periódica. Então, ainda pensa? Em que é que tem pensado? Faz-lhe bem pensar? Lamenta-se do que pensa? Tem remorsos? Pensa-se?

Há ainda os que dedicam a sua vida ao pensamento. Uns, simplesmente porque pensar os torna mais credíveis que um gestor, uma cesta de costura ou um governante. Outros, porque não sabem fazer mais nada. Os últimos porque, embora não o saibam, o mundo precisa de filósofos – e pensar é raro, diz-se: escasseia. Se não tivéssemos inventado a palavra, o pensamento não fluía. Seríamos ainda mais grunhidos. Vejo que atiraram gás lacrimogénio sobre os refugiados. Pensavam que eles não sabiam chorar? Ou estavam ali sem pensar?

Não sei porque penso isto: pensamentos que não me dignificam e até impedem de pensar... pelo menos noutras coisas.

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