Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



02
Abr16

...COMO COMÉDIA CLÁSSICA

por entratenamente

Por causa do congresso que decorre e a que a poucos de nós interessa verdadeira e naturalmente, revejo agora este texto. Para refletir(-me) um pouco...Lida de passagem a frase de Louis Quesnel “A publicidade, como a comédia clássica, visa o verosímil em vez da verdade”[1], a mesma aponta-nos, ao jeito de elemento de meditação, a direção do longo caminho que, dos primórdios da comunicação humana até aos nossos dias, a capacidade de persuadir o próximo empreendeu. Conclui-se que essa faculdade não evoluiu de uma forma definitiva; foi requisitando a seu serviço novos meios e tecnologias, mas nunca deixou de ser a perseguição do verosímil, como prioridade face à verdade, menos motivadora e de efeito menos lucrativos. Em todos os momentos dessa progressão histórica, a verdade não esteve na prioridade, mas o efeito a obter tomou a liderança. E o que teria começado por ser um ato de partilha, um aviso, cedo se apoderou da vontade de ser um elemento transformador. Assim, a opinião publicada tornou-se cada vez mais a forma de modelagem da opinião pública, e informação, publicidade e propaganda diluíram as fronteiras que as delimitavam.  A atividade publicitária teve início na Antiguidade Clássica, onde se encontram os primeiros vestígios, conforme demonstram as descobertas em Pompeia, anúncios de combates de gladiadores ou referências às diversas casas de banhos existentes na cidade. Uma fase em que a publicidade era sobretudo oral, feita através de pregoeiros, que anunciavam as vendas de escravos, gado e outros produtos, ressaltando as suas virtudes. Quando Cícero (3 de Janeiro de 106 a.C. — 7 de Dezembro de 43 a.C.) tomou o lugar de Hortênsio, advogado de Verres, como o maior orador de Roma, as formas de comunicar já tinham adquirido uma nova dimensão. A oratória era considerada uma grande arte na Roma antiga, e uma ferramenta importante para espalhar conhecimento e capacitar autopromoção tendo em vista eleições. A verdade é que não havia meios de comunicação regulares na altura. Costuma citar-se a Acta Diurna como o primeiro jornal, ou pelo menos o primeiro periódico digno do nome, da história, datado de 59 a.C. Acta Diurna era um instrumento de Júlio César para divulgar os principais eventos políticos e sociais aos romanos. O Estado nomeava os "actuarii" para escreverem no periódico, principalmente, matérias de guerras, sentenças judiciais, óbitos, nascimentos e até casamentos. 

Alexandre Honrado

[1] « Louis Quesnel », dans le Dictionnaire des parlementaires français (1889-1940), sous la direction de Jean Jolly PUF, 1960

Autoria e outros dados (tags, etc)