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06
Mar16

Da Linguagem da separação.

por Jorge Salema

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Porque o sentido das linguagens depende sempre do contexto, vamos conhecer agora um muito peculiar. No mundo do Direito as palavras querem dizer coisas muito diferentes daquelas que são descritas nas interpretações mais gerais. Aqui é mesmo preciso ser iniciado para entender, por exemplo, que uma norma é abstracta e não é representada completamente nos diplomas que a instituem. No universo anglo-saxónico dito de common law, as abstrações voam mais baixas que nos edificios sistemáticos herdados da racionalidade continental, como por exemplo; o português. Ainda assim, muitas são as nuances.  O Advogado Nick Allen informa-nos sobre esta intricada realidade forense.  Que dizem juizes e advogados? Como falam as pessoas do seu ex-outro? Ódio, dinheiro e conceitos finos para distinguir a necessidade do desejo, saber se existe adultério, se ele serve o divorcio litigioso. Ficamos a saber que o adultério é, no Direito Inglês, causa de divórcio, mas que apenas significa a relação sexual com pessoa do sexo oposto, o que levanta problemas nas definições do conceito em casamentos de pessoas do mesmo sexo. Os legisladores nem sempre querem abordar questões complicadas.

Mas se a semântica forense levanta problemas interessantes, o relato da linguagem utilizada pelas pessoas para se separarem não o é menos. Dos tempos da escola, até tarde na adultícia, relata-se  palavras lançadas ao parceiro para o apartar, às vezes ferir querendo, outras sem querer. “Não és bonita o bastante”, “tentei gostar”, “não me sinto confortável para continuar a receber o teu afeto”. A criatividade humana impressiona até ao fim. Muitas vezes é feliz, outras deixam um amargo acre e a  durar décadas.

 

Este epísódio é do podcast de Helen Zaltzman que pertence ao colectivo de podcasters em inglês  Radiotopia.



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Episódio #31 do podcast The Allusionist “Post-Love”  [**]  (Em inglês 19 minutos). Dá para Itunes.

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