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Recordei, com um grupo de alunos, um dos textos que mais interesse me despertou há mais de 20 anos e que reencontrei nos últimos dias. Partilhei com eles uma reprodução fac similada do mesmo texto, editada pela Biblioteca Nacional, em 1983, em edição sob os auspícios do Comissariado para a XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, que a memória deixou longe. A edição evocava os descobrimentos portugueses e a Europa do Renascimento, via Conselho da Europa, e intitula-se Epistola ad summum romanum pontificem, sendo a autoria atribuída a D. Manuel, rei de Portugal. Trata-se de uma carta, que o saudoso Artur Anselho apresenta em nota prévia nesta edição. A carta é do rei D. Manuel de Portugal em resposta a uma diligência do papa Júlio II junto da coroa portuguesa. Data o original de 1505. Terá sido traduzida parcialmente em português por Damião de Góis (na segunda metade do século XVI), e por Francisco Rodrigues Lobo, integralmente, no primeiro quartel do século seguinte. A diligência papal – de que se encarregara Frei Mauro Hispano, guardião do Monte Sião (isto é, de Jerusalém)-, tinha como conteúdo saber o modo mais aconselhável para o comportamento a adoptar perante o soldão (ou sultão) da Babilónia e do Grão Cairo, o califa E-Churi do Egito, que se queixava dos agravos e dos excessos cometidos por Castela e Portugal contra os mouros, na Península Ibérica (reino de Granada) e nas rotas comerciais da Índia.

Dom Manuel de Portugal aconselha o papa a combater "mais com atos do que com palavras esses infiéis", afirmando-se disponível para atacar o adversário – que entretanto ameaçara dar-lhe luta e destruir os lugares santos – nem que para isso fosse preciso ir pessoalmente atacá-lo... a Meca.

Durão Barroso tinha a mesma ultraliberal vontade, ao promover e apoiar os ataques no Médio Oriente. A diferença estava em que D. Manuel queria defender o tráfico de especiarias e Barroso estava, «absolutamente convencido» de que o Iraque tinha armas de destruição maciça antes da intervenção norte-americana no país e garantiu, então, ter visto, em Londres, as provas da existência dessas armas. Barroso defendia outros tráficos e outras especiarias. Terá sido um dos únicos a ver as ditas armas. (Os outros de visão foram os visionários Blair, Bush e Aznar, históricos denfensores de muitos actos e de péssimas palavras).

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