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06
Mar16

ENQUANTO ESTUDO EM PAZ

por entratenamente

Por razões periféricas a um estudo com outras prioridades tenho colecionado muitas referências sobre a I Guerra Mundial. Do que a História ensina, os cenários de guerra não diferem substancialmente em dores, em horror, em injustiça. A guerra é sempre uma solução de bárbaros que enfeitam alguns dos seus com medalhas rebrilhantes e que pretendem justificar os excessos com uma coisa ambígua a que chamam heroicidade que tem nome diversos, como missão, patriotismo, destino, inevitabilidade.Normalmente são bárbaros com objetivos nefastos e bem definidos, ao serviço de poderes que se reforçam de acordo com o desenrolar dos acontecimentos, aqueles que promovem os conflitos. O que desencadeia uma guerra tem o mesmo valor seja entre países de fronteiras desavindas ou opondo casais esvaídos que, na chamada violência doméstica, perdem os valores e o rumo. A guerra é sempre uma bola de neve com tons de sangue. Ao trabalho do historiador, a guerra traz sempre muito que aprender. As fontes são, muitas vezes, os despojos sangrentos, os estilhaços de um tempo perdido, as feridas nunca saradas. Creio que a Europa produziu algumas das cenas mais avassaladoras da história do mundo, repartindo-se entre a morte, a sofisticação dos meios mortais e a vergonha (essa campa desnecessária que pesa no peito dos povos enquanto a memória lhes perdura). Quando lido com estes vestígios, não vejo grandes diferenças simbólicas entre um povo dizimado na Flandres, em la Lys, na Coreia, no Vietnam, em Angola, no Iraque... Os povos são gritos cujo eco se esvai. A história é a caixa de ressonância desses gritos.

 

Alexandre Honrado

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