Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Há um aí fora e um cá dentro. Já senti isso muitas vezes. Não gostar do último livro do Onésimo Teotónio de Almeida, apesar de gostar dele, por exemplo. Não gostar e não poder dizê-lo a ninguém, por sermos tão poucos os que sabem quem ele é. Não gostar, porque ele caiu na armadilha da sua ironia e fez da filosofia analítica uma tenda de índio dos prados – um tipi ou teepe – como se na América alguma coisa fosse melhor do que o que temos. Ou então outras coisas. Mas não as trarei cá para fora.

A oração de D. António Pinheiro nas cortes de Almeirim, em 1544, por exemplo. Ou as quase sempre tristes ideias de Francisco Manuel Trigoso e aquelas coisas sobre a identidade e isso. Evolução em permanência e a ideia de identidade? Mas isso interessa a quem? E fico a pensar, sozinho: há um aí fora e um cá dentro. Vou dar-te só mais um exemplo. Descobri os apontamentos sobre o Chomsky. Sempre que partilho alguma coisa dita ou feita pelo Chomsky lá vem a pergunta: mas quem raio?... Se me pusesse para aqui a dizer que as regras da linguagem que propunham como alternativa às de Chomsky eram semântico-sintáticas, pelo que deixava de fazer sentido falar de um componente sintático generativo e um componente semântico interpretativo, o que me dirias? A estrutura linguística depende da conceptualização e, em correspondência, influencia-a. Estás a ver? Não estás a ver? Pois, ando à procura de explicação para os pensamentos abstratos. Modelos cognitivos – mas que não partam dos valores da verdade (como os utilizados pela lógico proposicional). Não, não tem a ver com o acordo ortográfico. É melhor ficarmos assim. Há um aí fora e um cá dentro. Desculpa não me apetecer sair. Pelo menos por agora.

  

Alexandre Honrado

Autoria e outros dados (tags, etc)