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14
Mar16

FRAGMENTOS

por entratenamente

 

FRAGMENTOS

 

Incomoda muito a penumbra da carência. Nesses recantos de sombrias esperanças, os dias passam iguais. A dor vai ficando morna e o desespero torna-se mais uma pedra. Sem saber talhá-la, é uma pedra inútil. A pedra que somos merece o artesanato de  sermos. Os hábitos são menos que repetições. A nossa vida comparada a outras é sempre mais acesa. E todavia brandimos lágrimas e protestos, como se fossemos o paradigma da infelicidade. Vejo os que dormem ao relento como um problema meu. E dos que têm tecto. Vejo os que sofrem os seus cérebros confusos com a confusão dos pássaros bêbados de vento. Pensar por eles não me ocorre. Não sei o que fazer e mesmo assim corro de um lado para o outro a voluntariar-me. Nunca chego ao fim da rua. As mãos que me estendem deixam-me vazio. As ideias que encontro são meninos órfãos. A confusão de tranquilizar-me deixa-me remorsos.

Não é a fortuna que nos falta mas a definição do que é lutar?

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