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26
Abr16

O ditador que não o foi

por Flávio Gonçalves

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Foi com extrema apreensão que testemunhei a mais descarada e odienta falsificação histórica e ideológica por parte da direita portuguesa quando a Câmara Municipal da Amadora decidiu, em boa hora, evocar a memória de Hugo Chávez atribuindo o seu nome a uma nova praça em Alfragide. O CDS/PP da Amadora disparou o alarme e dezenas de anónimos analfabetos políticos de todo o país e além-fronteiras (muito poucos domiciliados na Amadora) inundaram de insultos, ódio e a mais feroz falsificação histórica as páginas deste município nas redes sociais bem como as do Partido Socialista local, secção na qual milito activamente sempre que há oportunidade.

 

Não meus caros, Hugo Chávez não foi um ditador, foi consecutivamente eleito em sufrágios monitorizados por organismos e observadores internacionais, que não detectaram quaisquer anomalias, chegando até a perder umas eleições. Em vida, tivemos conhecidos, amigos e pelo menos um mestre em comum, só não o conheci pessoalmente por excesso de lealdade para com a empresa de segurança privada onde me encontrava a trabalhar aquando da sua última visita a Lisboa e é algo pelo qual nunca me perdoarei, a oportunidade de conhecer uma lenda viva e um dos maiores democratas do século XXI (tinha sido convidado para o fazer, mas a empresa recusou dar-me algumas horas e eu, zelosamente e de modo muito pouco português, cumpri em vez de faltar ao trabalho).

 

Hugo Chávez foi muitas coisas, mas nunca, jamais, foi um ditador e nunca, jamais, desrespeitou os resultados de qualquer eleição, mesmo quando lhe corria mal. Eu bem sei que em todo o mundo a mentira e a falsificação tanto ideológica como da memória histórica são ferramentas políticas, mas no resto do mundo são contestadas abertamente enquanto que em Portugal qualquer mentida enfiada por entre meia dúzia de palavras e sem quaisquer factos reais passa por verdade, ainda mais se acompanhada por insultos e ódio por parte das massas politicamente analfabetas das redes sociais. Aproveito estas linhas para dar os meus parabéns aos executivos da Câmara Municipal da Amadora e da Secção do PS da Amadora pela coragem e pela jovial ousadia de homenagear um grande homem, um verdadeiro socialista e um raro e genuíno democrata incorrupto num continente onde estes não abundam.

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