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31
Mai16

Palestina: pátria adiada!

por Flávio Gonçalves

Em boa hora decidiram os deputados da esquerda portuguesa aprovar um voto ao inalienável direito do povo palestiniano a uma Pátria, estão de parabéns os grupos parlamentares do Partido Socialista, BE, PCP, PEV e até do PAN. A direita optou por se abster, o que sinceramente não será grande surpresa nos dias que correm, dado que a direita portuguesa actualmente já nem defende a soberania da sua Pátria, quereríamos nós que se importasse com a soberania das pátrias alheias ou de quem ainda se move pelo direito a ser um povo livre e uma nação soberana?


Este voto surge um dia após Benjamin Netanyahu ter dado a conhecer junto da diplomacia internacional (no passado dia 12) que está novamente disposto a retomar as negociações com Mahmoud Abbas tendo em vista a resolução do conflito israelo-palestiniano, o qual tem vindo a escalar, e a duas semanas de uma cimeira que irá reunir em Paris no próximo dia 30 ministros dos Negócios Estrangeiros de 20 países, tendo como único ponto do programa relançar o processo de paz para Israel e para a Palestina, sendo embora curioso que fiquem de fora da cimeira precisamente as autoridades israelita e palestiniana. Recordemos que actualmente só 57 dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas não reconhecem o direito da actual Autoridade Palestiniana em ser considerada como Estado soberano.


O reconhecimento do direito palestiniano ao seu próprio Estado tem sido um longo e moroso processo que tem ganho novo ímpeto nos anos mais recentes com a perda de influência dos Estados Unidos (o principal aliado de Israel) no panorama internacional, as reticências do próprio Obama e a entrada em cena da Rússia como novo interveniente no balanço de poderes no Médio Oriente. O processo está tão avançado ao ponto de fontes da própria União Europeia já considerarem a possibilidade da Autoridade Palestiniana passar a poder integrar a Interpol em 2017 ou até mesmo no último trimestre de 2016, a Palestina pediu o seu ingresso nesta organização internacional de polícia em Agosto de 2015.

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