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12
Abr16

Reucuar a 2013 (com afetos)

por entratenamente

Escrevi este texto, em 2013, como tópico para uma intervenção no CPES - o Centro de Pesquisa e Estudos Sociais, onde nasceram projectos como o Centro de Estudos da Paz e dos Conflitos, que logo nesse ano me escolheu (na qualidade de Investigador Principal do Centro) para seu diretor - e que recebeu, pouco depois, o nome Núcleo de Investigação Nelson Madela, que ainda perdura. Com o andar do tempo, o Núcleo ficou, por protocolo, como parceiro integrado na área de Ciência das Religiões da ULHT, que acolheu aliás a sua sede e princípios e que hoje desenvolve um sonho comum que será em breve anunciado como realização.

Reproduzi-lo é homenagear um outro amigo, ele sim motor incomum do CPES. 

À memória do Luís Bento, então...

 

"A Introdução do Humanismo em Portugal - o Humanismo, a filosofia moral, aquela que coloca o ser humano no centro e no topo das escalas de importância - é um acontecimento dos finais do século XV (há quem precise, com exatidão, que é datável, devendo referir-se o ano de 1485 e o que em diante se ditou). Antes, por iniciativa dos príncipes da casa de Avis, já as suas origens estavam estabelecidas, no fim da nossa Idade Média, com a promoção de traduções do latim, que nos permitiram aprender referências éticas, dessas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a de ser racional. Vinham da Grécia, essas referências. Dessa mesma Grécia que hoje se debate à tona dos mercados e das economias do ágio, do ultra liberalismo e dos Bancos que dominam e esmagam, sem contemplações...humanistas.
A chegada de Cataldo Parísio Sículo ao nosso País, em 1485, dita então o início do Humanismo em Portugal, mas isso não interessa por ora. O que interessa é que esquecer uma opção inteligente, enraizada em seis séculos de aprofundamento do ser humano, trocando-a por uma nova política ditada pelo cifrão e pelo anti social é humilhante. É claro que há muitas expressões humanistas – desde a dos filósofos iluministas às do humanismo secular ou ao marxista ou ao cristão, até à postura da vida humanista, em sentido lato. Mas o que aqueles que nos governam não podem esquecer - embora o façam! - é que esse acreditar nos homens é que os elege, os torna políticos. E se uma cultura afetiva nos faz gostar de pessoas, de partidos, de ideias que nos representem ou traduzam, o retorno é exigível: queremos afetividade de volta. E queremos ser o centro - Humano - das prioridades. É só por isso que muito do que sofremos na atualidade está condenado, pelo simples facto de ter uma política desumana como motor e por ter traído o altruísmo daqueles que escolhem afectivamente. Está condenado não só ao desaparecimento, à derrota (isso é saudável em democracia) mas, mais seriamente, condenado ao frio julgamento da História. Assim esse julgamento seja justo!"


Alexandre Honrado - CPES

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