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Mantenho os paradigmas de construção de uma Filosofia do Impuro, a única que permite a construção de grelhas interpretativas do tempo em que vivemos. Porque a Pureza era mais uma utopia, embora se assemelhasse a um formato muito sólido para o entendimento da sociedade e sobretudo do Homem, criando grandes estruturas e interpretações, acabou por condenar-se sem a necessidade de submeter-se a tribunal mais amplo do que o do próprio tempo, devastador de todas as arestas e sabores. Assim, o radical do impuro situa-se no que nos rodeia e governa: o próprio âmbito cultural, antropológico é essa mancha irreparável. Tanto há impureza no avanço dos fundamentalismos, como no triunfo de uma Igreja ao serviço da política numa das principais cidades do Brasil, como na violência disseminada pelos órgãos de comunicação ou pela patética estrutura organizativa da educação, com os professores a trabalharem estatísticas esquecidos do material humano que deviam levar à condição elevada de Mulheres e Homens, não porque seja essa a vontade dos docentes, mas porque a estrutura subjetiva do capitalismo contemporâneo é precisamente a do sujeito nómada, sem identidade fixa, frágil e manipulável; é necessário criar o zombie triunfante que sirva os poderosos do sistema e seja o sistema sem poder, ambulatório. A própria máquina que desencadeia o dinamismo, é impura. E não merece futuro a longo prazo. E sabe-o, pelo que procura ser cada vez mais dinâmica para fechar as contas consigo mesma, com um saldo positivo. A história já nos mostrou que esse é um caminho falhado: o de procurar desembaraçar-se do obstáculo, mantendo o dinamismo. Falhado, porque conduz à perda do dinamismo ao mesmo tempo que perde o obstáculo. O triunfo aparente dos conspurcados – aqueles que sob os desígnios do impuro são o seu lado mais fétido e poluente – está nos exemplos mais gritantes (do Ministro Relvas que abriu a porta às falsas habilitações literárias no poder, escancarando-a e criando uma "escola" de falta de caráter à solta, aos religiosos que manipulam a religião e tomam o poder subjugando os seus acólitos, aos políticos que não merecem a nobreza das funções e que mesmo em Democracia vão escavando terreno para o alicerce das ditaduras).

Não há muito para concluir, em matéria de pensamento. Há sobretudo muito por pensar.

Alexandre Honrado

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