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29
Mai16

Tentaram salvar a Grécia?

por Flávio Gonçalves

As suspeitas abundavam mas, até agora, não passavam de suposições e teorias da conspiração: dos 220 mil milhões de fundos destinados a “salvar” a economia grega só uns meros 5% chegaram aos cofres do Estado grego. O relatório não foi publicado num pasquim qualquer, veio à luz na edição do passado dia três de Maio do respeitado diário económico alemão “Handelsblatt” e foi elaborado pela Escola Europeia de Gestão e Tecnologia (ESMT), universidade privada fundada em 2002 por 25 multinacionais, entre as quais a Siemens e a Bosch. Portanto, quem o confirma são um jornal e uma instituição “capitalistas” de cunho liberal e neo-liberal, digamos assim, insuspeitas de quaisquer simpatias ou imparcialidades de esquerda: 95% do dinheiro (cerca de 210 mil milhões de euros) que teoricamente se destinava a “salvar” a Grécia foi canalizado para os bancos e para os credores privados por instruções da Comissão Europeia e do próprio Fundo Monetário Internacional.


O Estudo conclui que praticamente nenhuns dos fundos recebidos serviram para recuperar, financiar ou alavancar a economia grega e, pior, que tal não é responsabilidade do governo grego. Nas palavras de Jorg Rocholl, director da ESMT: “durante seis anos a Europa tentou em vão acabar com a crise na Grécia por intermédio de empréstimos, continuando a exigir medidas e reformas cada vez mais austeras. Mas a causa deste falhanço recai de modo óbvio mais do lado da própria planificação dos programas de resgate e menos do lado do governo grego”.


Rocholl vai mais longe ainda e conclui que “os pacotes de resgate só serviram para salvar os bancos europeus”! Ou seja, na realidade ninguém tentou salvar a Grécia, esta foi meramente utilizada para lavar e reciclar fundos que passaram de uns bancos para outros ficando o governo e o povo grego com a responsabilidade de saldar os juros desses novos empréstimos milionários que, logo à partida e por exigências externas, nem sequer lhes eram destinados pese embora todo o teatro mediático, a subjugação de Tsipras e a (agora confirmada) justíssima oposição e repúdio de Varoufakis. Tanto quanto pudemos notar, em Portugal só o portal da RTP publicou a notícia num texto publicado no passado dia cinco, todos os restantes órgãos de comunicação social propriedade de convictos capitalistas austeritários e “europeístas” (no pior sentido) optaram por empurrar a notícia para debaixo do tapete.

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