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As redes sociais, em particular o Facebook, forneceram as condições para uma profunda transformação na perceção de privacidade e aproveitamento de uma potencialidade mediática para a exposição corriqueira e quotidiana. O sujeito deixou de comer para passar a comer no instagram. Deixou de ir simplesmente ao cinema para ir ao cinema informando pelo Facebook que se está no cinema. Alterações significativas que forneceram às pessoas a ilusão de que o que estão a viver é de interesse geral. O Facebook tornou-se no reality show sem fim, cada qual com a sua agenda e programa. As consequências desta supressão das privacidades são inúmeras, desde a potencialização da criminalidade sexual com a exposição fotográfica descontrolada, à perda de nexo contextual, em que as pessoas usam as redes sociais para deixar recados a terceiros, num verdadeiro exercício de "lavar de roupa suja" na forma mais pública possível. 

Ora, a vivência mediatizada pelas redes sociais não parece ter retorno. Os sujeitos vivem para postar, para mostrar e construir uma personalidade, uma verdadeira personagem de si, havendo quem, inclusive, monte fotos de férias que não se encontram a realizar. A recente morte de um golfinho franciscana, ou golfinho-do-rio-da-prata, na Argentina, retirado da água e permanecendo fora dela demasiado tempo, tudo para que cada um pudesse tirar o tão desejado selfie é uma excelente oportunidade para parar e se pensar nos limites morais da vida pelas redes sociais. Tudo é válido por um like? Que importância adquiriu o mesmo na vida dos sujeitos? Estamos a criar gerações de like-dependentes? 

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