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21
Fev16

Um filho e um problema demográfico

por Jorge Salema

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No desenho e implementação da política chinesa “Uma família, um filho”, cruzam-se vários fatores que ajudam a compreender a China contemporânea, o partido único que a governa, e bem assim as implicações da engenharia social decidida pelas cúpulas. Estas são questões maiores da filosofia política que são racionalmente debatidas desde Hobbes, passando por Voltaire e por Burke. Aqui são os limites dessas políticas que importa medir. Uma política apostada em reduzir a população e aplicada com mão de ferro, como se explica, parece ter cumprido o desiderato. As consequências demográficas e o impacto  na vida dos cidadãos chineses e na sua cultura, constituem o célebre reverso da medalha. Uma realidade de aflitos “ramos sem galhos”. A necessidade de vencer a morte pela descendência, e o preço a pagar por viver numa ordem como a chinesa. O lamento não é de hoje. Até há bem poucos anos, encontravam-se fiadeiras chinesas no norte do país onde ainda se cantava “detesto a lei do imperador”. Não há imperadores por lá desde 1912 mas há bem coisas que permanecem. Talvez no meio da grande e indiscutível trasformação e urbanização chinesas, existam afinal e como nos advertem os velhos sinólogos, uma continuidade obnubilada pelo manto vermelho do Partido, que, no entanto, não resiste a um segundo olhar.

 

Partilha

 

Episódio do programa radiofónico Fresh Air da NPR de 1 de fevereiro “How China's One-Child Policy Led To Forced Abortions, 30 Million Bachelors” onde se entrevista Mei Fong sobre o seu livro One Child, The story of China’s most Radical Experiment.

 

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