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26
Mar16

Nem todas as culturas são iguais - a discussão

por Orlando Figueiredo

A versão inglesa do artigo aqui publicado sob o nome de Nem todas as culturas são iguas, publicada no meu blogue pessoal Pensatempos, com o nome Not all cultures are equally valuable, no mesmo dia em que aqui publiquei a versão portuguesas, suscitou alguma discussão no Facebook, em particular da parte de de dois bons amigos, que optei por publicar no mesmo blogue: “Not all cultures are equally valuable – the discussion”.

O texto foi publicado em inglês. O post do Facebook é apresentado abaixo.

 

It is time to stop with the politically correct discourse that all cultures are equally good and valuable. Individuals...

Publicado por Orlando Figueiredo em Terça-feira, 22 de Março de 2016

 

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22
Mar16

Nem todas as culturas são iguais

por Orlando Figueiredo

Read the English version: Not all cultures are equally valuable

 

No seu livro intitulado “The Moral Landscape”, Sam Harris, um acérrimo defensor do ateísmo e parte de um movimento conhecido como Novo Ateísmo” discute e critica o relativismo cultural politicamente correto. Harris argumenta que existem culturas que causam sofrimento, enquanto outras promovem o bem-estar dos seus cidadãos. Em consequência, devem ser valorizadas de forma diferente. A paisagem (landscape) do título está relacionada com a forma montanhosa que os gráficos 3D – que tem por variável dependente o nível de bem-estar e por independente as diferentes culturas –, assumem. Montes mais elevados representam, naturalmente, sociedades onde se conseguiu atingir um maior bem-estar. O autor também reconhece a subjetividade do termo bem-estar. Contudo, como neurocientista, ele propõe métodos objetivos que permitam a sua avaliação, nomeadamente, recorrendo à medida das concentrações, nos nossos cérebros, de moléculas relacionadas com a felicidade.

Os acontecimentos recentes no aeroporto de Bruxelas e na estação de metro de Maelbeek, na mesma cidade, mostram, infelizmente de novo, quão correto Sam Harris está. Muitos afirmarão que isto não é o Islão, que o Islão é uma religião da paz e que a causa do terrorismo é o radicalismo e não o Islão. E estão certos. Acredito que uma larga maioria dos muçulmanos não se revê nos métodos do daesh. Contudo, não se pode esconder o facto de que o Islão, como as outras religiões abraâmicas, promove uma cultura misógina e machista e uma sociedade homofóbica e xenófoba. Se os autointitulados muçulmanos, à semelhança dos autointitulados judeus ou cristãos, defendem os direitos humanos é apesar da sua religião e não por causa dela. De facto, é preciso uma grande flexibilidade interpretativa para ver o “Antigo Testamento”, a “Tora” ou no “Corão” como textos de paz. Também, estou convencido que a maior parte destas pessoas são Muçulmanos, Cristãos ou Judeus, não por escolha sua, mas por que foram educados nesses contextos e nunca tiveram oportunidade de fazer uma leitura crítica dos seus textos religiosos.

Está na altura de parar com os discursos politicamente corretos de que todas as culturas são igualmente válidas. Indivíduos têm sempre de ser tratados como pessoas, cujas vontades devem ser respeitadas, dentro dos limites da democracia, por culturas laicas ou religiosas.  Mas, culturas e ideias devem ser profundamente criticadas e, se for esse o caso, denunciadas.

Afinal de contas prefiro a Bélgica à Arábia Saudita, e não é apenas por que as mulheres podem conduzir livremente no primeiro país.

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17
Mar16

Brasil

por João Ferreira Dias

A situação política brasileira é de tal forma grave, quer de um lado quer do outro, que só vejo uma solução - auditoria judicial externa internacional, tudo o mais está repleto de interesses políticos.

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 O “Brexit”, British exit (da União Europeia), está na ordem do dia por toda a Europa. O cenário é complexo. Se as recentes negociações entre David Cameron e o Conselho Europeu, levadas a cabo em Bruxelas, terminaram com o celebrativo Twitter de Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu:

a realidade é que o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia está marcado para junho. David Cameron tem quatro meses para convencer os britânicos que ficar é a melhor opção. A questão é fraturante, tanto do lado dos conservadores como do lado dos trabalhistas. As opiniões dividem-se e ambos os lados possuem apoiantes da permanência e da saída. David Cameron, primeiro-ministro e líder do partido conservador, decidiu fazer campanha pela permanência do Reino Unido na UE, porém, Michael Gove, ministro da justiça do governo presidido por Cameron, já declarou publicamente que vai fazer campanha pelo “Brexit”.

É claro que o Reino Unido pretende contrapartidas económicas. David Cameron utilizou o referendo como arma, para conseguir os acordos que pretendia junto do Conselho Europeu, e consegui-o. Até num dos pontos mais difíceis de acordar – a questão do pagamento dos abonos de família aos filhos de emigrantes que fiquem no país de origem –, o primeiro-ministro britânico conseguiu acordo vantajoso por parte do Conselho Europeu, apesar de não ter sido nos moldes exatos pretendidos. Cameron pretendia que a suspensão do pagamento dos abonos de família fosse feita de imediato para todos os casos, mas acabou por ceder. A suspensão aplica-se desde já aos novos emigrantes, mas os atuais usufruidores só verão a medida aplicada a partir de 2020. Esta é um resultado altamente vantajosa para o Reino Unido.

Há, porém, uma dimensão mais gravosa de toda a situação e localiza-se a norte: a Escócia. Tradicionalmente pró-europeus, os escoceses estão profundamente desagradados pela forma como o governo do Reino Unido está a organizar o referendo. Nicola Sturgeon, líder do Scotish National Party, que conseguiu um estrondoso suporte aquando do referendo de 2013 sobre a independência da Escócia, opõe-se à realização de um referendo a nível do Reino Unido. Sturgeon defende que a Escócia, Gales, Inglaterra e Irlanda do Norte deveriam votar separadamente e que a saída da União Europeia estaria dependente de um “Brexit” unânime dos quatro países. Assim, uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia poderá dar uma nova energia às pretensões independentistas da Escócia. No referendo de setembro de 2013, o “não” à independência ganhou por uma margem de 10,60 % - 55,30 % dos escoceses manifestou-se a favor da permanência da Escócia na UE, contra 44,70 % que preferem uma Escócia independente. Perante uma alteração tão radical das políticas externas do RU, é possível que o rácio se altere e a Escócia opte por uma saída do Reino Unido e opte por uma adesão do país à EU.

O Reino Unido vive agora a hesitação da União Europeia. Poderá, talvez, ler-se, nas pretensões conservadoras do abandono, a ilusão da manutenção de um Império que se desfez há mais de meio século. Império que se bastaria para permitir um Reino Unido sem União Europeia. Mas o império já se demoliu e é bom que os britânicos tomem consciência disso. O preço de não o fazerem é o de um Reino que já não é Império e que corre o risco de não mais ser Unido.

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