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31
Mar16

Terrorismo e Agenda Mediática

por João Ferreira Dias

Há uma fronteira muito clara entre o dever jornalístico de prestar informação e a agenda mediática em face dos acontecimentos. Esta última é a base de quase toda a atividade jornalística, porque ultrapassa o dever de informar para informar em excesso, ampliando e massificando determinados acontecimentos. Isto é muito claro nos casos ligados a atentados terroristas. Nestes é extremamente óbvia a importância mediática para os movimentos jihadistas, cujos ataques ao ocidente, para terem devido impacto, necessitam de ser mediatizados continuamente, i.e., estes precisam das ferramentas ocidentais para poderem visar o ocidente. Parece, entretanto, evidente que é necessária e urgente uma nova linha editoral dos órgãos de comunicação social em relação a estes ataques. Um jornalismo consciente passa pela noticiação do acontecimento de forma marginal, minimizando o impacto de acontecimento de larga escala, combatendo a sua instrumentalização indireta por parte dos movimentos terroristas. Sem o sensacionalismo mediático grande parte do sucesso destes movimentos cai por terra. É urgente refletir sobre isto. 

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26
Mar16

Nem todas as culturas são iguais - a discussão

por Orlando Figueiredo

A versão inglesa do artigo aqui publicado sob o nome de Nem todas as culturas são iguas, publicada no meu blogue pessoal Pensatempos, com o nome Not all cultures are equally valuable, no mesmo dia em que aqui publiquei a versão portuguesas, suscitou alguma discussão no Facebook, em particular da parte de de dois bons amigos, que optei por publicar no mesmo blogue: “Not all cultures are equally valuable – the discussion”.

O texto foi publicado em inglês. O post do Facebook é apresentado abaixo.

 

It is time to stop with the politically correct discourse that all cultures are equally good and valuable. Individuals...

Publicado por Orlando Figueiredo em Terça-feira, 22 de Março de 2016

 

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22
Mar16

Nem todas as culturas são iguais

por Orlando Figueiredo

Read the English version: Not all cultures are equally valuable

 

No seu livro intitulado “The Moral Landscape”, Sam Harris, um acérrimo defensor do ateísmo e parte de um movimento conhecido como Novo Ateísmo” discute e critica o relativismo cultural politicamente correto. Harris argumenta que existem culturas que causam sofrimento, enquanto outras promovem o bem-estar dos seus cidadãos. Em consequência, devem ser valorizadas de forma diferente. A paisagem (landscape) do título está relacionada com a forma montanhosa que os gráficos 3D – que tem por variável dependente o nível de bem-estar e por independente as diferentes culturas –, assumem. Montes mais elevados representam, naturalmente, sociedades onde se conseguiu atingir um maior bem-estar. O autor também reconhece a subjetividade do termo bem-estar. Contudo, como neurocientista, ele propõe métodos objetivos que permitam a sua avaliação, nomeadamente, recorrendo à medida das concentrações, nos nossos cérebros, de moléculas relacionadas com a felicidade.

Os acontecimentos recentes no aeroporto de Bruxelas e na estação de metro de Maelbeek, na mesma cidade, mostram, infelizmente de novo, quão correto Sam Harris está. Muitos afirmarão que isto não é o Islão, que o Islão é uma religião da paz e que a causa do terrorismo é o radicalismo e não o Islão. E estão certos. Acredito que uma larga maioria dos muçulmanos não se revê nos métodos do daesh. Contudo, não se pode esconder o facto de que o Islão, como as outras religiões abraâmicas, promove uma cultura misógina e machista e uma sociedade homofóbica e xenófoba. Se os autointitulados muçulmanos, à semelhança dos autointitulados judeus ou cristãos, defendem os direitos humanos é apesar da sua religião e não por causa dela. De facto, é preciso uma grande flexibilidade interpretativa para ver o “Antigo Testamento”, a “Tora” ou no “Corão” como textos de paz. Também, estou convencido que a maior parte destas pessoas são Muçulmanos, Cristãos ou Judeus, não por escolha sua, mas por que foram educados nesses contextos e nunca tiveram oportunidade de fazer uma leitura crítica dos seus textos religiosos.

Está na altura de parar com os discursos politicamente corretos de que todas as culturas são igualmente válidas. Indivíduos têm sempre de ser tratados como pessoas, cujas vontades devem ser respeitadas, dentro dos limites da democracia, por culturas laicas ou religiosas.  Mas, culturas e ideias devem ser profundamente criticadas e, se for esse o caso, denunciadas.

Afinal de contas prefiro a Bélgica à Arábia Saudita, e não é apenas por que as mulheres podem conduzir livremente no primeiro país.

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